terça-feira, 15 de maio de 2012

12/05/2012 - Dia de exploração de novos trilhos

Para hoje tinha pesquisado durante a semana alguns track's de gps com vista a ir para locais que ainda não conhecesse, mas que não me obrigassem a deslocar me de carro até lá. Outro requisito era o facto de obrigatoriamente ter uma distância mínima de 50km e 1000m de acumulado. Filtrados que estavam os tracks acabei por escolher um do pessoal dos Amigos do Pedal de Famalicão, pelo qual me iria guiar em parte ao longo da manhã de sábado. Por diversos motivos dos meus companheiros de pedaladas, hoje foi dia de pedalar a solo. Algo que algumas pessoas não gostam nada que o faça, mas que também sabe bem, embora saiba os riscos que corro.


Eram então 7:15h da manhã quando acordei para esta aventura, sabia de antemão que o dia ia ser quente e queria chegar ao ponto mais alto desta volta (a Capela da Senhora do Monte) até cerca das 10h da manhã altura em que o calor se iria intensificar. Pequeno almoço tomado, umas barritas na mochila, bidão de água atestado, e siga que para a frente é que é caminho.
Como habitual procurei a padaria mais próxima para o cafézito e nata da praxe, desta vez calhou em sorte a Doce Miragem, e que delicia que estavam ambos.
Com tudo isto eram cerca de 8:00h da manhã quando abracei os primeiros trilhos,
Rapidamente cheguei a Requião, a Primavera em todo o seu esplendor, a foto não faz jus à paisagem naquele local.
Em Requião ainda tive oportunidade de subir ao Convento que lá existe, e sujar um pouco os pneus com alguma lama. Até à chegada a Ruivães, o percurso teve pouco história, apenas uma subida de pouco mais de 200m mas que me fez ficar com a lingua de fora...Era apenas o aquecimento para o que me esperava pouco depois.

Aqui já em Ruivães junto de um dos Cruzeiros que se podem encontrar ao longo da subida até ao Monte Calvário.
Junto da Capela aproveitei para comer uma barrita e ouvir o chilrear da passarada, eram apenas 8:50h mas a temperatura ambiente fazia lembrar uma tarde de verão.
Pouco depois fiz-me novamente aos trilhos, aqui já a descer em direcção às Oliveira de Sta. Maria e S.Mateus respectivamente 
Pelo caminho fui encontrando algumas pérolas,
aqui está outra
E foi entre singletracks estradas que cheguei a Riba de Ave de onde se avistava a Santa Tecla, ficou prometida uma visita para um destes dias.
Em Riba de Ave aproveitei para uma paragem onde me abasteci de um delicioso croissant e de uma garrafa de água fresquinha, para reatestar o bidon, pois a bebida já parecia sopa, isto às 9:30h da manhã!
Como cada vez estava mais calor, queria tentar atingir o ponto mais alto desta volta até às 10h da manhã, pois apesar do calor que já se fazia sentir, esta é a altura do dia onde ele se começa a intensificar ainda mais.
Aqui já se subia e bem até ao ponto mais alto do monte, e a chegada à Capela da Senhora do Monte fez suar bem a camisola.
 Mais um marco geodésico para a colecção!
A Capela encontrava-se fechada, no exterior havia uma placa que assinalava a data da presença da imagem peregrina da Nossa Senhora de Fátima em 1977.
Recuperadas as energias, foi altura de iniciar a descida, que me iria proporcionar um contacto próximo com a mãe natureza...a registar apenas uns arranhões num cotovelo. Nada de grave.
A partir daqui, era chegada a altura de tirar um azimute para casa, mas sem que isto sacrificasse a escolha de trilhos fantásticos. Senão vejam...

Paisagem típica minhota, um belo batatal, e cebolo rodeado por uma ramada. Ouvia-se ali perto umas rãs a cantar ao desafio...

Mais trilhos fantásticos


Campos floridos,
A fauna local,
E aqui ficam os dados do dia:

segunda-feira, 7 de maio de 2012

05/05/2012 - Nocturna com Acdar ao pedal

Sábado à noite foi dia de treino com o pessoal da Acdar. O ponto de encontro foi na Pastelaria Doce Miragem às 20h. 
À hora da partida estávamos seis elementos para esta nocturna, luzes montadas nas nossas meninas, e bora lá martelar nos cranks.
Os primeiros quilómetros foram feitos por asfalto até à entrada da ciclovia de Famalicão, aproveitamos uma parte do troço do 2º Duatlo de Famalicão, e eis que surge a primeira paragem, um dos camaradas de luta entrou no redline e a "gestão electrónica do motor entrou em safe mode", um pequeno compasso de espera para ele recuperar, e logo recomeçamos a pedalar. Descemos até à Quinta do Zé das Fontes e quando entramos na estrada, nova paragem, havia um elemento em falta, pensou-se logo no pior, teria ele caído??? Não, afinal o problema estava na fixação da lanterna ao guiador da bicla, aqui ficou provada a mais valia de andar com zipties na mochila para desenrascar. Problema resolvido tirámos o azimute para a Quinta de Pindela, um "rebuçado" esperava por nós, rebuçado esse que nos iria levar até ao Largo do Senhor dos Aflitos, em Santiago da Cruz.
Já a desfrutar do "rebuçado", aconteceu a primeira queda da noite, o colega não se apercebeu de uma pedra de maiores dimensões que acabaria por interromper a marcha originando a queda do atleta! Desta situação apenas resultou um selim descentrado, nada que umas pancadinhas não resolvam!
Ora as indicações da volta, e uma vez que o ritmo tinha sido reduzido, era para fazermos o maior número de subidas possível, pelo que sugeri algumas das que já tenho no "curriculum"! Descemos então até Vale de S.Cosme, onde subimos pela Rua da Quintela até à Rua das Cabanas, para quem não conhece vale a pena uma visita!!! Já na Rua das Cabanas seguimos até ao PR do Castro da Boca, onde a calçada romana fez as delicias dos aventureiros desta noite.
Terminada a zona do PR seguimos até ao Penedo das Letras, e a pedido de várias pessoas, lá conduzi as tropas até mais uma parede, contornamos o monte por nascente e fomos desembocar na subida que vem desde o S. Vicente de Sezures. Ora aquilo já tem uma boa inclinação, mas se a isso somar-mos piso enlameado, que parece que trava as bicicletas, temos o cocktail perfeito para o empeno!!! Nesta subida haveria de assistir à segunda queda da noite. Em plena ascensão, apareceu o Homem da Marreta a um dos colegas, que coitado, teve uma câimbra e nem conseguiu desencaixar os pés, caindo redondo para o lado, nada de grave. Depois desta subida reagrupamos e subimos até ao alto do monte e ao Penedo das Letras. Aqui ainda houve tempo para o Sérgio Fernandes experimentar uma outra parede nas imediações.
Já no Penedo das Letras foi tempo da foto da praxe a comprovar efectivamente que lá estivemos. Estávamos no ponto mais alto da volta, pelo era agora tempo de descer. Durante a descida ainda houve espaço para duas quedas, e pelos mesmos actores das anteriores. No primeiro caso, valeu uma valente molha num charco de lama, já o segundo deu direito a um tratamento de beleza na lama acumulada dos rodados dos tractores. Esta descida serviu também para apanhar alguns sustos, pois a lanterna que eu trazia na bicla teimava a cada buraco, pedra ou ramo que pisasse alterar o modo de funcionamento, passando de máximos para mínimos sem aviso, devido a isto tive de descer devagar, até alcançarmos a estrada nacional na Portela. 
Da Portela até Gavião, os quilómetros passavam debaixo das nossas rodas a ritmo de contra-relógio, e nem mesmo o vento frontal impedia de fazer a vida difícil aos carros que nos tentavam ultrapassar!!!
Chegamos novamente ao ponto de encontro pouco passava das 23:00h, feitas as despedidas, cada um seguiu para sua casa.
Da minha parte, fica o agradecimento pelo convite para participar nesta nocturna, e a promessa de vos acompanhar noutras voltas que façam.


P.S. Logo que tenha algumas fotos coloco aqui.


Track GPS

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Uma aventura nos Caminhos de Santiago - 28/04/2012 Dia 5


Restavam-nos pouco mais de 30km’s para alcançar aquele que seria o último objectivo desta epopeia. E para nos brindar neste último dia o sol deu um ar da sua graça, embora o frio se mantivesse. 
Paisagem à saída de Muxia
Praias praticamente virgens diziam no folheto sobre o Caminho, o que se veio a confirmar. Estes primeiros 5km’s sempre junto ao mar serviram para esticar as pernas, mas o frio mantinha-se.
A partir daqui o caso mudou completamente de figura, pois logo após esta praia fomos brindados com uma subida que nos levou praticamente dos 0 a mais de 200 metros de altitude num piscar de olhos. Ora esta subida fez ativar todos os “sistemas de ventilação” do nosso corpo. Passando a fazer todo o restante percurso em manga curta.
Mas como tudo o que sobe também desce, após atingido o cume, tivemos alguns quilómetros de descida para elevar os níveis de adrenalina. Mais uma vez a sermos brindados com trilhos fantásticos, subidas e descidas técnicas, que nos punham a arfar fortemente, mas que davam um prazer enorme de conseguir transpor, mesmo que com as mochilas às costas e uma frente também algo pesada. As máquinas embora fossem acusando aqui e ali os vários dias a levarem com lama e água e a serem alvo de uma manutenção escassa (apenas lavadas e a corrente lubrificada), continuavam a portar-se lindamente e a transmitir uma confiança e fiabilidade de registo.
Aqui já próximos de Finisterra, podemos ver o contraste de um elemento tipicamente campestre (o espigueiro), quase em plena praia.
Faltavam pouco mais de 6km até Finisterra, e para o culminar da aventura, a ansiedade começava novamente a aumentar. E daqui até ao final demoramos cerca de 30minutos. Pelo Caminho ainda nos cruzamos com umas peregrinas Italianas com quem tínhamos partilhado a camarata no albergue em Negreira, ficava satisfeito por saber que também elas estavam a atingir os objectivos.
E cá está ele, o Farol do Cabo Finisterra, e o respectivo fim da linha…Como dizia numa t-shirt “Finisterra – Game Over”, sim o “jogo” terminou…por agora, pois esta viagem serviu para confirmar o que eu já esperava, é isto que eu quero do btt, travessias. Aqui em Finisterra ficou a promessa, de que enquanto for vivo, e as pernas o permitirem, todos os anos irei realizar pelo menos um Caminho.
Depois de tirada a foto, dirigimo-nos para a cidade onde nos iriamos encontrar com os nossos familiares que nos vinham buscar e também para obtermos a Finisterrana e tomar um banho para trocar de roupa.
Ainda tivemos de esperar algum tempo, mas por fim chegaram, o albergue esse é que só abria às 16h e ainda eram 13:30h.
 Aqui fica a foto de grupo junto do porto de pesca.
Deixo-vos também uma foto especial, onde estamos os três Tartarugas :D, embora o Manel não nos tenha podido acompanhar devido à queda que sofreu na semana que antecedeu o início desta aventura, ficou a promessa de quando ele recupere da lesão e a forma física, iremos fazer um outro Caminho mas com o final também ele em Finisterra.


Dados do Dia:

Distância: 34km
Os restantes dados esqueci-me de guardar!!!



Uma aventura nos Caminhos de Santiago - 27/04/2012 Dia 4



Eram 7h da manhã quando o relógio despertou, mas já há pelo menos 15minutos estava acordado, devido ao barulho que umas alemãs estavam a fazer enquanto arrumavam as mochilas para partirem.
Logo que o relógio tocou, levantei-me e mais uma vez peguei nas minhas coisas, e vim para a casa de banho onde me equipei e arrumei a mochila para não incomodar quem ainda estava a dormir.
Já com tudo arrumado, fomos buscar as bicicletas aos arrumos onde tinham ficado guardadas, ontem não as tínhamos lavado no final do dia, pelo que de imediato fomos até uma bomba de gasolina que havia ali perto e deixámo-las a brilhar…embora que por pouco tempo!
Embora não chove-se estava um nevoeiro cerrado, e caía um orvalho que nos mantinha fresquinhos.
Mais uma vez arrancamos sem pequeno-almoço, uma vez que nos tínhamos esquecido de comprar alguma coisa no dia anterior, e à hora que arrancamos estava ainda tudo fechado.
A primeira etapa de hoje entre Negreira e Olveiroa, seria a mais difícil do dia com direito a uma subida ao ponto mais alto do percurso, o Monte Aro e os seus 550m de altitude, que no terreno e pela carta militar apenas tinha 470m (pormenores).
Já no alto o panorama era este:
Uma imagem vale mais que mil palavras e é bem verdade. Depois de atingido o topo do monte começamos a descer até ao nosso pequeno-almoço.
Após o pequeno-almoço as subidas diminuíram de intensidade mas aumentaram de regularidade, mas as paisagens compensavam e bem todo o esforço.
Nesta zona ainda apanhamos um engarrafamento de vacas num caminho de uma aldeia, ainda deu para “conversar” num portunhol esquisito com o dono das vacas, e que quando lhe disse que era português, ele começou logo a dizer que tinha um irmão que vivia em Portugal numa cidade que tinha uma ria muito conhecida…Talvez Aveiro, pois o homem não sabia o nome. Ultrapassado o engarrafamento apareceu a última subida da manhã antes de chegarmos a Olveiroa.
Mais uma vez abastecemo-nos num supermercado para o almoço. A bela sandocha, a coca-cola e uma peça de fruta a rematar.
Para o período da tarde restavam-nos cerca de 30km’s que ligariam Olveiroa a Muxia, se o percurso da manhã tinha sido bonito, o da tarde nada lhe ficou a dever.
Desde ribeiros de água cristalina,
A campos verdejantes, rodeados de montes de extrema beleza,
E foi assim que pedalada atrás de pedalada, que chegamos a Muxia
Pela primeira vez víamos o mar nos últimos 4 dias. Quando o avistámos ainda no alto do monte mais uma vez voltou aquele sentimento de euforia, e vontade de pedalar como que tivesse arrancado ali mesmo e não tivesse pedalado os 60km’s anteriores.
Depois da foto na praia, perguntámos a uns azimutes falantes onde ficava o albergue de peregrinos, e para lá chegar mal sabíamos nós que íamos ter de chamar novamente a avozinha, pois o albergue ficava no ponto mais alto da cidade.
Eram 16h quando chegamos ao albergue, depois de instalados e de termos recebido a Muxiana, fomos tomar o merecido banho.
Banho tomado e já restabelecidos, fomos à procura de um local para comprar alguma coisa para lanchar, e dar uma volta pela cidade, que embora pequena era muito bonita.
Durante o lanche, houve tempo para divagar, e ficou a promessa de lá voltarmos com as nossas Marias para lhes mostrar tamanha beleza, no calor do momento ficou alinhavada uma viagem pela costa norte da Europa aos comandos não de uma bicicleta mas de uma moto para levarmos as nossas companheiras!
Já com o estômago aconchegado resolvemos subir até ao monte na ponta da cidade e que tinha uma vista fabulosa.
Fomos ainda visitar o Santuário da Virgem da Barca, e toda a zona envolvente. Vale a pena uma visita a toda esta região.
Eram já perto de 19h quando fomos à procura de um local para jantar. Depois de analisar as várias hipóteses, acabamos por escolher um menu económico, para entradas umas croquetas caseiras, prato principal peitos de frango com salada e batata frita, sobremesa um geladinho e a rematar o belo do cafezinho…um belo repasto diga-se. Ainda ao jantar houve tempo para assistir a uma discussão acesa sobre o duelo no campeonato espanhol entre barça e real de madrid! A eliminação de ambas as equipas da champions tinha deixado marcas!!!
Depois de jantar recolhemos ao albergue, onde após ligarmos para casa, nos fomos deitar afim de dormir aquela que seria a última noite desta aventura.


Dados do Dia:

Distância 67.49km
Velocidade média : 11.4km/h
Tempo de deslocação : 5:53h
Tempo parado: 1:35h















Uma aventura nos Caminhos de Santiago - 26/04/2012 Dia 3


Eram 5:45h quando despertou o relógio, o albergue permanecia em silêncio, penso ter sido o primeiro a levantar-me. Peguei nas minhas coisas e vim até à sala arrumar tudo na mochila para não incomodar quem ainda estava a dormir. Lá fora o dia ainda não tinha nascido, e enquanto estava a preparar tudo não parou de chover.  Para o dia de hoje tínhamos como objetivo chegar a Negreira com paragem prolongada em Santiago de Compostela e pequeno-almoço em Caldas de Reis.
Foto tirada no arranque, eram 6:40h sensivelmente, começavam a sair também os primeiros peregrinos a pé.
Cerca de 24km com uma subida mais ingreme pelo meio, era o que nos separava do pequeno-almoço. Atravessámos a cidade onde ainda tiramos uma foto ao nascer do sol aquando da passagem sobre o rio Lérez.
A etapa começava em asfalto, onde fomos passando por alguns peregrinos que já se tinham feito ao Caminho. Após esta fase inicial maioritariamente em estrada, começaram os trilhos de terra batida, lindíssimos, e embora encharcados pela chuva da noite anterior, permitiam deslizar pelo Caminho sem grandes dificuldades.
 Depois de atingido o pico mais alto da etapa, deixamos os bosques e entramos numa zona de campo aberto, com alguns canais de água, e igualmente bela. Foi já nessa zona que chegamos ao marco que nos indicava faltarem menos de 50km para atingir o nosso primeiro objectivo.
Mais alguns quilómetros e estávamos em Caldas de Reis para o merecido pequeno-almoço. E que pequeno-almoço! Ao entrarmos na cidade perguntamos a um transeunte onde podíamos encontrar uma cafeteria/panaderia, e lá nos indicou uma bem no centro. 
Então para pequeno-almoço ”marcharam” uns croissants enormes e uns panikes quentinhos, bem regados por um sumo de frutos. Até aqui tudo bem, a surpresa foi quando me dirigi à funcionária para pedir o belo do “café solo” e carimbar as credenciais, ao invés do café solo, veio o tradicional café espanhol (meia de leite em Portugal) acompanhado por  uns quebrantes (4 mini croissants, e 1 panike de chocolate partido em dois) e ainda dois shot’s de sumo de laranja natural, e tudo isto por 2€…sim 2€ no dia de anterior tinham-nos cobrado 1,70€ por dois cafés solo e dois mini mini bolinhos (quebrantes).
Reparem na cara do Hernâni a olhar para o petisco que saiu por surpresa…:D
Arrancamos de Caldas de Reis completamente recuperados e saciados, depois deste pequeno-almoço divinal. Até Padrón ainda haveríamos de levar com um valente pedraceiro pela cabeça abaixo, e apanhar um valente susto com as autênticas armadilhas que há nesta zona do Caminho. Nas descidas fizeram uns regos com paralelos e alguns deles são perfeitos para o encaixe da roda da frente e respectiva projeção do bicigrino mais desatento. Numa dessas descidas, entusiasmado pela velocidade, mesmo no final e após uma curva fechada eis que aparece um desses regos, e que me obrigou a travar violentamente para perder velocidade rapidamente provocando um valente pião para atravessar o rego na diagonal e assim evitar a queda. A partir daqui passei a dar mais uso nas descidas aos Avid elixir 5 da minha rockrider 8.2.
À entrada em Padrón, fizemos uma paragem técnica para lavar as bicicletas, pois estávamos a meio da etapa para hoje e as ditas estavam completamente encharcadas de lama por tudo o que era sitio.
Tentámos carimbar no albergue de Padrón mas não nos lembrámos que só abria às 13h, era tempo de seguir viagem por Santiago estava a menos de 25km de distância, e queríamos chegar lá atempo para almoçar.
Nesta fase do percurso a ansiedade era grande e o desejo de ver surgir as torres da Catedral no campo de visão era enorme, pelo que mesmo tendo várias subidas, toda a etapa se desenrolou a bom ritmo, ainda que debaixo de alguma chuva. Na penúltima subida eis que o sol dá um ar da sua graça, e ao virar da esquina depará-mo-nos com esta paisagem... 
Santiago estava mesmo ali ao pé, e apesar do cansaço que as últimas subidas e os já perto de 60km tinham causado, mais uma vez, de uma maneira inexplicável, algo mexeu comigo e me renovou as forças, será isto o que dizem sentir os que já fizeram o Camiño, se é não sei, mas que existe algo existe.
Mas antes da entrada na Praça do Obradoiro, ainda houve tempo para “sofrer” na penosa subida em asfalto para chegar à cidade de Santiago de Compostela.
Á entrada na Praça, o meu corpo irradiava felicidade, tínhamos conseguido…depois de 3anos a sonhar com este dia, finalmente aconteceu.
Mais uma vez a chuva resolveu aparecer, mas não nos impediu de tirar a foto da praxe. Tirada a foto, fomos até à Oficina do Peregrino, e mais uma surpresa haveria de acontecer.
Ao subir as escadas que dão acesso ao balcão para obter a Compostela, ouvia no andar cima uma conhecida música do Quim Barreiros (a cabritinha), mal entrei, entreguei a credencial ao funcionário, que quando reparou que era Português, foi risada geral, é que quem estava a ouvir as músicas eram outras funcionárias que se estavam a rir à brava com as perversidades que a música sugere!!! Quim Barreiros um artista mundialmente famoso!!!
Já com a Compostela, fomos comprar o almoço, como já eram 14h fomos a um supermercado comprar alimentos para fazer umas sandes, e para comemorar o Hernâni trouxe uns bolinhos de chocolate…maravilha, almoçamos com vista para a fachada principal da Catedral, não podíamos pedir melhor.
Eram 14:30h sensivelmente, quando nos preparamos para encarar o Caminho rumo a Negreira, faltavam apenas 22km segundo as informações que tínhamos obtido, mas seriam um bocadinho mais duros, bem ao estilo dos trilhos da região norte de Portugal (o nosso quintal :D).
Estava bastante vento e frio, apesar do sol que se fazia sentir, ao longe o céu tinha um ar ameaçador, com umas nuvens muito carregadas. Logo que apareceram as primeiras subidas o frio desapareceu e regressou o encanto das subidas técnicas com calçada romana, troncos e outros desafios que nós tanto gostamos! Logo nos primeiros quilómetros fora de estrada deu para perceber que este seria um Caminho muito interessante, devido em grande parte ao tipo de terreno, paisagens, e principalmente o facto de não ser tão concorrido ou massificado. A título de exemplo posso dizer que nos 2dias e meio que fizemos entre Santiago, Muxia e Finisterra, devemos ter encontrado tantos peregrinos como em apenas 1dia de percurso no Caminho Central Português.
Aqui fica uma imagem dos primeiros trilhos à saída de Santiago e rumo a Negreira.
Aqui já em Ponte Maceira, a poucos quilómetros de Negreira.
Chegamos a Negreira eram perto de 17h. Para pernoitar esta noite tínhamos escolhido um albergue privado a fim de lavar e secar os equipamentos e garantir roupa lavada para as próximas duas etapas.
Também foi aqui que cozinhamos pela primeira vez, uma bela massa com atum, salsichas e azeitona misturados com polpa de tomate, bem regados por uma Heineken XL para cada um! Menu este que causou curiosidade nos restantes peregrinos que lá estavam hospedados.
Não sei se pelo cansaço, se pelo silêncio do albergue, ou mesmo pela holandesa que regou o jantar, foi a noite que ambos dormimos melhor!!!


Dados do dia:

Distância: 88.25km
Velocidade média: 12.6km/h
Tempo de movimento: 7:01h
Tempo parado: cerca de duas horas (o Gps marca 1:01h, mas como o desliguei em Santiago julgo não ter contabilizado esse tempo.) 


Uma aventura nos Caminhos de Santiago - 25/04/2012 Dia 2


Como sabíamos antecipadamente que na madrugada e até meio da manhã iria haver muita chuva, deixamo-nos estar na cama mais um bocadinho. Saímos do albergue eram perto de 10h da manhã e fomos tomar o pequeno-almoço.
O arranque propriamente dito deu-se cerca das 10:30h da manhã, e rapidamente entramos em terras de Nuestros Hermanos.
As previsões meteorológicas estavam a revelar-se acertadas, pois durante toda a etapa praticamente não apanhamos chuva.
A etapa seria curta, pois Pontevedra, local onde iríamos pernoitar, ficava apenas a 56km de Valença. A etapa previa-se curta mas revelou-se uma caixinha de surpresas. Logo após uns quilómetros depois de atravessarmos Tui, surge a primeira, o rio tinha aumentado o caudal e era impossível seguir o traçado do Caminho sem nos molharmos todos.
 Uma rápida olhada no gps serviu para encontrar alternativa ao trajeto alagado pelo rio. Pois pelo mapa do gps tínhamos um caminho uns 400m mais à frente, não sabíamos nós é que teriam de ser feitos a corta mato! Mas lá conseguimos chegar ao dito caminho, e eis que surge nova surpresa. Como as beiras eram mais altas que o estradão, tínhamos cerca de 30cm de água o que mesmo a pedalar não impedia de andar-mos com os pés na água, mas sempre era melhor que nos metermos a atravessar o rio.
Passada toda esta zona, voltamos à estrada, e ao Caminho, tínhamos perdido cerca de meia hora e ainda faltavam uns km’s até Redondela onde iríamos almoçar.
Atravessamos a zona industrial e respetiva cidade de Porriño, e encarámos a única subida digna desse nome antes de chegarmos ao nosso almoço.
Chegados a Redondela, procuramos um supermercado para comprar algo para trincar, e que belo repasto, ementa esta que iria ser seguida nos próximos dias.
Umas belas sandes de fiambre, chouriço e presunto, acompanhadas por umas Pringles, regadas por uma coca-cola e para sobremesa uma maçãzita. Serviu perfeitamente para aconchegar o estômago para o período da tarde.
Findado o almoço, fomos carimbar as credenciais no albergue de peregrinos da cidade, e arrancamos mais uma vez com o céu a ameaçar chuva, que haveria de cair uns quilómetros mais à frente.
Belas paisagens que fomos encontrando pelo Caminho. A partir daqui começámos a encontrar mais peregrinos portugueses a fazer o Caminho, o que era sempre motivo de alegria.
Chegámos a PonteSampaio e começou a chover,
A partir daqui sabíamos que teríamos uma subidita algo penosa, e que nos iria levar até uma mini-Labruja.
E cá estava ela, mais uma vez a obrigar-nos a desmontar das bicicletas para prosseguir caminho.
Passada esta fase mais difícil do percurso foi sempre a rolar até ao Albergue de Pontevedra, neste albergue tivemos de deixar as bicicletas cá fora. Ainda houve tempo para conhecer peregrinos da minha terra e que viriam a dividir despesas na lavagem e secagem da roupa.
Banho tomado, fomos à procura de sítio para jantar, procuramos, procuramos, e voltamos a procurar, e acabamos a jantar numa cervejaria… Esta iguaria…
O sabor não era o melhor mas, quem se mete nestas jornadas sabe que no final do dia o que interessa é meter “gasolina” pois o corpo digere tudo.
Já no albergue, ficámos a saber que a nossa roupa só ficaria pronta no dia seguinte à hora de saída do albergue, o que para nós não era a melhor solução pois queríamos sair bem cedo uma vez que o dia ia ser longo. Após uma conversa com a senhora do albergue lá conseguimos com que a roupa ficasse pronta até às 23h, e os nossos compatriotas que tinham dividido a lavagem/secagem da roupa prontificaram-se a ir buscar a roupa, para que pudéssemos descansar cedo, uma vez que eles se iriam levantar mais tarde. Mais uma vez aqui fica um muito obrigado.
Eram perto de 21:30h quando adormeci, escusado será dizer que mal pousei a cabeça na almofada adormeci.


Dados do dia:

Distancia: 56.08km
Velocidade média: 12.9km/h
Tempo de movimento:  4:19h
Tempo parado: 1:02h









quinta-feira, 3 de maio de 2012

Uma aventura nos Caminhos de Santiago - 24/04/2012 Dia 1

 O relógio despertou eram 5:50h, equipamo-nos e tomamos o pequeno-almoço. Antes de arrancarmos verificámos que o amortecedor quase não tinha perdido ar, pelo que o Hernâni decidiu deixar a bomba em casa, decisão que se viria a revelar pouco acertada.
Eram 6:40h quando arrancamos para o ponto de partida a Igreja de Gavião, e no momento de arrancar a nossa amiga chuva resolveu dar um ar da sua graça e obrigou-nos a vestir os ponchos de ciclismo que tínhamos comprado na Decathlon e que se revelaram de extrema utilidade ao longo dos vários dias de pedaladas.
6:45h, o adro da Igreja estava vazio apenas o chilrear dos passarinhos nas oliveiras e a chuva se faziam ouvir. Tirada a foto da praxe foi tempo de dar as primeiras pedaladas nos cranks em direção a S. Pedro de Rates.
Na ciclovia a caminho de Rates, a chuva tinha parado e o piso permitia uma boa velocidade de deslocação, por isso, rapidamente chegamos a S. Pedro de Rates onde entraríamos oficialmente no Caminho Central Português.
Em frente ao Mosteiro de Rates foi tempo para mais uma foto da praxe, e despimos os impermeáveis pois a chuva parecia ter-se ido embora.
Após Rates encontramos os primeiros peregrinos, de várias nacionalidades, sozinhos ou em grupo, todos eles tinham um objetivo comum, chegar a Santiago de Compostela.
Cerca de 17km era o que nos separava de Barcelos e do nosso reforço de pequeno almoço, e que reforço.
Já em Barcelos junto da Igreja do Senhor da Cruz onde queríamos carimbar as credenciais de Peregrino mas que infelizmente estava fechada. Foi então tempo do belo do reforço…
Embora tivesse-mos arrancado com cerca de 20minutos de atraso em relação ao previsto, a verdade é que chegamos a Barcelos dentro do previsto, e sem forçar o ritmo. Eram cerca de 9:30h quando arrancamos de Barcelos em direção a Ponte de Lima.
Pelo caminho ainda fizemos uma pequena paragem na famosa Ponte das Tábuas que marcava sensivelmente o meio da etapa Barcelos -> Ponte de Lima.
Após esta paragem, ainda houve tempo para detetar que a pinça do travão traseiro da bicicleta do Hernâni estava solta, rapidamente foi reapertada e não mais se queixou.
Daqui a Ponte de Lima foi um ápice, o tipo de percurso permitia rolar a bom ritmo, apenas aparecendo uma ou outra subida pelo caminho.
Já em Ponte de Lima tirámos a foto da praxe, e apontámos as biclas para a Tasca Os Telhadinhos da Dona Márcia, que tem uma ementa muito característica, e que torna a escolha das iguarias algo difícil.
Já de barriguinha cheia, foi tempo do belo cafezinho, e de nos fazer ao Caminho novamente, pois o céu estava a ameaçar chuva para o período da tarde. Ora durante a tarde esperava-nos o grande desafio do Caminho Central Português…Essa mesmo…a Temível Labruja!!! Mas antes de lá chegar ainda tivemos direito a algumas surpresas. Com a chuva dos últimos dias a lama foi uma constante, e entre lama e terra seca, ficamos com pneus 5.0 tipo panado. Houve alguém que colocou saibro a enxugar os trilhos e que mal o calcamos nos prendeu as rodas por completo.
Após esta zona começavam então as subidas, pelo que, a conselho de várias pessoas resolvemos fazer uma paragem estratégica para atestar o depósito na Fonte das Três Bicas.
A partir daqui, começaríamos a afastar-nos da civilização, e as subidas duras começavam a ser uma constante. Primeiro em asfalto, depois em paralelo, e finalmente entravamos no monte e na famosa Labruja.
A pedra molhada, aliada aos pneus com mais pressão devido ao peso extra que tinham de suportar, tornava a transposição destas zonas um desafio muito arriscado, pelo que por prudência resolvemos fazer praticamente tudo com a bicicleta à mão. Ainda estávamos no primeiro dia, pelo que qualquer decisão mal ponderada poderia colocar em risco toda a aventura. Mas ficou a promessa de lá voltar com menos uns quilos às costas, para a fazer!

A famosa Cruz dos Franceses, aqui o cansaço já era algo evidente, mas ainda havia alguns quilómetros para pedalar até ao objetivo, Valença.
Mas lá conseguimos alcançar o topo da subida, e apreciar as vistas...
A partir daqui voltaram os trilhos rolantes, e em pouco mais de 1h e 30min chegamos a Valença, ainda a tempo de encontrar uma loja para comprar uma bomba para repor a pressão no amortecedor na bicicleta do Hernâni.
Posto isto, dirigimo-nos para o Albergue de S.Teotónio, onde encontrámos os primeiros Bicigrinos, 3 portugueses dois homens e uma mulher. Tinham saído da Sé do Porto na Segunda Feira dia 23, e tinham pernoitado em Ponte de Lima no dia anterior.
Depois de darmos um valente banho nas “meninas”, foi a nossa vez. Nada melhor no final de 102.5km a pedalar que um belo banho quentinho, para recuperar.
Depois de tudo arrumado, saímos à procura de um restaurante onde pudéssemos jantar, percorremos várias ruas até que surgiu a ideia de procurar próximo da estação do comboio onde normalmente existe sempre um restaurante com bons petiscos. E assim foi, para o jantar marchou uma sopinha de nabos, um churrasco misto muito bem servido, e uma saladinha a acompanhar, uma maravilha.
Findado o jantar fomos tomar um cafezito e ver a meia-final da Champions entre o Barcelona e o Chelsea e que haveria de revelar uma grande surpresa.
Eram cerca de 22h quando nos deitámos, a noite estava fria e chuvosa, e mal a cabeça pousou na almoçada adormeci.


Dados do dia:

distância: 102.5km 
velocidade média: 12.5km/h 
tempo de movimento: 8:13h 
tempo parado: 1:48h